Licença Poética
Diante de ti Palavra, apresento-me. Permita-me a petulância de te beijar as mãos e, por desvãos charcos e áridos, conduzir-te à minha presença. Perdoa-me escoltá-la nos labirintos escuros da loucura presunçosa que me faz crer que a saída existe. Acompanha-me no início da jornada que anseio meu encontro. Leva-me aos transes e delírios notívagos onde à traição, desejo te seduzir. Transporta-me por dimensões escuras do pensamento, abrindo clareiras de duras e doces compreensões. Entrega-te às minhas mãos para que elas jamais se calem. Sacia-te nua na nudez taciturna das frases, superlativos meros de uma vaidade doente.
E sofra comigo! Sem ser apenas Palavra, seja todas as letras dos meus sentidos. Leve aos olhos todos, todo o significado da verdade de já se conhecer.
Porque Palavra, se não sabes, já és minha possuída. Tenho-te por entre os nós duros dos dedos. Apresentei-me e me deste por inteira. Talvez porque veio de Deus, talvez porque vim de Deus. Quem sabe ainda, porque ansiosa, me esperava cansada enamorada dos meus desejos.
E sendo minha pra sempre, aloja-te na lapela do meu coração. Traze no sentido inverso, meus pensamentos presos à lógica do que já sei. Pra que seja uma voz a condensar meus corpos.
E quando eu for, ainda serás minha, E sendo minha, num gracioso cortejo, te deixo com meu beijo de ponto final.
Nelson Cândido
(Nelson Cândido, é amigo, poeta, bancário. Uma pessoa com a alma em letras e versos).
Escrito por Weder Soares às 23h19
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