"Eu não sou eu.
Era uma vez um menino que se perdeu
pelos brejos da terra-de-meu-deus"...
(Valdivino Braz)
Deus menino/
Abençoe os poetas,
seus cadernos e letras/
tempere rimas/
com pimenta de cheiro.
Da acidez dos cantos
adoce uma estrofe pequenina/
bem feita com nome de menino.
Sou faisca de asteróide/
Singela janela
Na luz de meia estação/
Poeta maturado/
Sereno/ maldade
Saudades/
No lombo da liberdade/.
Fui amigo da fome/
Com ela me banqueteei
de nada/
Do nada/
Bordei a pauta
Apontei os lapsos
Segurei o lápis/
E tirei do borralho
Braz/as
Que espalhei
Pelos vãos/
Da terra partida/
Perdida nos sonhos/
De um menino
Faisca/
Poema/
Estradas
De outras esferas/.
Segurei/
Na mão de Deus/
Tapeei o capeta
Na sua cauda encardida
Amarrei um cometa/.
Escombros amarelos
Maça envenenada/
Bruxa malvada/
Herói sem capa,
ou espada
abrindo o porteirão/
Deus mundo/
Caduco/
Nos cascos do tempo/
Lama, lima/
Láminas
Açoitando a pele/.
Lá estão elas/
As procelas encadernadas
Capa, contracapa
Anunciando a aurora bucólica/
Poeta de chapéu/
Bengala e bigodes.
A
Infância ainda canta/
No embornal surrado
No estranho de suas retinas/
Meninas amadas
No escuro das madrugadas/.
Sobre a face das pedras
Tapiocangas/.
Hoje saliva amadurecida/
Versos menino/
Vozes/
Poeti(a)mando
Permitindo eternidade.
Com carinho ao amigo poeta
(Valdivino Braz)
17/01/2005.